Implantação sa Psicologia no Ensino Médio: Relato de Uma Intervenção

Rosane Gumiero Dias da Silva

 

Esta pesquisa visa demonstrar contribuições que a Disciplina de Psicologia pode oferecer ao jovem quando a cursa e quando é implantada nos programas curriculares do Ensino Médio. Inicialmente, esclarece-se, que após a elaboração dos Parâmetros Curriculares do Ensino Médio, os PCNs, algumas inovações foram realizadas pelo Ministério de Educação, Cultura e do Desporto (MEC), dentre estas, a Disciplina de Psicologia, deixou de constituir a grade curricular da maioria dos cursos de ensino médio, à exceção de alguns colégios que a priorizam. Em um desses colégios da Rede Pública Estadual do Estado do Paraná, a Psicologia foi implantada como disciplina eletiva. Neste sentido, participarmos da sua implantação, como Psicóloga Educacional tendo como um dos objetivos, auxiliar a equipe pedagógica da escola na definição, elaboração e aplicação dos conteúdos programáticos para esta disciplina, na 1ª, 2ª e 3ª série, por meio de um Projeto de Extensão: “Assessoramento e Acompanhamento na Implantação da Disciplina de Psicologia no Ensino Médio na Cidade de Paiçandú – PR”, iniciado em junho de 1999 e finalizado no ano de 2003, o qual fui coordenadora.


Após quatro anos destas atividades, consideramos relevante investigarmos esta implantação para verificarmos o seu grau de importância para os jovens do ensino médio que haviam cursado esta disciplina nas três séries. Este trabalho tornou-se então uma pesquisa a qual realizei minha tese de doutorado. A metodologia utilizada foi a pesquisa avaliativa a qual, encontramos em Aguilar (1995) três momentos distintos em que a avaliação pode acontecer: antes, durante e depois de realizado um projeto. O percurso do nosso trabalho se conduz, à análise após a implantação da disciplina de Psicologia no Ensino Médio, a qual é denominada por Aguilar (1995) de avaliação ex-post.

Descrevendo os procedimentos de análise dos resultados

Para viabilizar nossa pesquisa, optamos pela técnica quantitativa com alguns estudos analíticos. Após a aplicação das perguntas contidas em questionário iniciamos a organização dos dados. Para tal, verificamos semelhanças e repetições entre as respostas e as agrupamos, fazendo o mesmo com as não semelhanças. Nesse momento, levamos em consideração os aspectos quantitativos (freqüência entre as respostas) e qualitativo (organização dos conteúdos entre si). Em seguida, fizemos a tabulação dos dados pesquisados e elaboramos categorias de conteúdos  como: a) Caracterização dos sujeitos,  e b) Contribuições da Disciplina de Psicologia para o Discente do Ensino Médio.

Caracterização dos Sujeitos

Participaram desta pesquisa, 59 alunos do Ensino Médio. A idade média foi de 17,9 anos, com predomínio do sexo feminino, 62,71% e 37,295 do sexo masculino.
b) Contribuições da Psicologia para o Discente do Ensino Médio
Nesta categoria, nossa preocupação foi verificar se a Psicologia se mostra de fato importante para o jovem que estava cursando o Ensino Médio. Para tanto foram apresentada as seguintes questões: a) Importância de se estudar a disciplina de Psicologia e por quê? b) Importância da disciplina de Psicologia para a formação como estudante, como trabalhador, como aluno e como filho, c) Situações do dia-a-dia que são importantes ter o conhecimento visto na disciplina em sala de aula. Os argumentos relevantes das sub-categorias foram: auto conhecimento, conhecimento de si e do outro, relação indivíduo e sociedade e aplicação da Psicologia no cotidiano, conforme a Tabela 1.

No que se refere à pergunta: Importância de se estudar a Psicologia no Ensino Médio e de se Estudar a Psicologia enquanto trabalhador, aluno e filho, houve 100% de respostas assertivas. A maior concentração de respostas, ou seja, 17 delas, representando 28,81% do total, localiza-se em relacionamentos vinculados à afetividade. 


Segundo a tabela acima, 11 respostas, ou seja, 18,64%, dos jovens acreditaram que a contribuição da disciplina de Psicologia no Ensino Médio repercutiu em todos os setores de sua vida, ou seja, trabalho, relacionamento, família, namoro, etc. Assim, é importante frisar que os conteúdos programáticos administrados na disciplina de Psicologia transcenderam a vida dos sujeitos em sala de aula e se relacionaram com o seu cotidiano, mercado de trabalho e a construção de sua identidade.  Muito próximo a estes índices, 9 respostas, 15,25%, dos jovens relatam  que, no trabalho, encontraram ou encontrarão  maior auxilio da Psicologia. Também se torna significativa preocupação dos alunos sobre a importância de Resolver Problemas, perfazendo um total de 5 freqüências 8, 47%, e 4, 6,78%, interessaram-se pelo tema  Família. Em seguida, temos o assunto Sexualidade como aplicação da Psicologia no cotidiano com 3, 39% das respostas,  Drogas e Namoro com 3, 39%, seguida de uma distribuição equilibrada, 1,69%, nos  demais assuntos como: Limite, Raiva, Violência, Namoro, Ética e Depressão.

CONCLUSÂO

Retratamos neste contexto, que a importância da Psicologia para o jovem se manifesta, primeiramente em sua ontogênese, seu crescimento pessoal, a descoberta de quem “Sou Eu” depois, na filogênese, desenvolvimento da espécie, na  compreensão do outro  do mundo a sua volta, e, como se estabelecer neste mundo. Acreditamos no potencial do jovem para desenvolver-se e, frisamos a colaboração dos conhecimentos da ciência psicológica dentro do contexto educacional para facilitar ao adolescente a compreensão do contexto social em que vive, via seu contexto histórico.

 

REFERÊNCIAS
AGUILAR. M. J. A avaliação de serviços e programas sociais. R.J.: Vozes, 1995.

BRASIL Ministério da Educação. P. C.N: ensino médio. Brasília: MEC,1999
SILVA.R.G.D. Projeto de Extensão. Implantação da disciplina de psicologia no ensino médio. U.E.M- 2002.




 
     

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