Arte e educação – na confluência das áreas, a formação do psicólogo escolar
Silvia Maria Cintra da Silva (Universidade Federal de Uberlândia)
silvia@ufu.br

Este trabalho aborda algumas reflexões sobre minha prática como supervisora de estágio profissionalizante em psicologia escolar. A pesquisa baseou-se em uma proposta de estágio supervisionado na referida área, realizado em uma escola pública da cidade de Uberlândia (MG).


Durante um ano letivo, foram organizados grupos com crianças com dificuldades de aprendizagem, professoras, mães e pais, coordenados por quatro estagiários de psicologia. A partir da avaliação institucional realizada inicialmente, que constou de observações em todas as salas de aula e de entrevistas com as professoras, direção, funcionários e alguns estudantes, foram delineadas algumas propostas de intervenção com objetivos diferenciados para cada segmento da escola.


O trabalho com os grupos foi inteiramente baseado em atividades com música, literatura e artes visuais. Os encontros com as crianças foram registrados em vídeo e as supervisões de estágio gravadas em áudio, o que permitiu uma análise minuciosa, com um enfoque microgenético, de falas, gestos e ações de todos os envolvidos no processo.


No decorrer da pesquisa, houve um progressivo interesse e entusiasmo dos estagiários pelo material utilizado no trabalho, constituído por livros de história, CDs e reproduções de obras de arte, bem como pela arte de maneira geral. Esse interesse, que não havia sido previsto, redirecionou toda a pesquisa, no sentido de ratificar a relevância da arte na formação do psicólogo escolar e de reiterar importância do contato aprofundado do estagiário com os materiais e as atividades empregadas no estágio. Também foram constatadas mudanças nos participantes dos grupos realizados no espaço escolar, acompanhadas de uma curiosidade por músicas, poemas, livros de história e reproduções de quadros.


Na formação acadêmica do estudante de psicologia, geralmente as questões técnicas são prioritárias, em detrimento de aspectos subjetivos da pessoa. Os sistemas simbólicos criados pela humanidade dialeticamente transformam o funcionamento mental, configurando e também promovendo alterações qualitativas nas funções psicológicas superiores. Nesse sentido, a arte pode contribuir para o desenvolvimento pessoal/profissional do futuro psicólogo, fornecendo elementos que ampliem a compreensão sobre si mesmo e sobre o mundo. O desenvolvimento integral do estudante deveria ser uma preocupação central na universidade, pois trata-se da formação do cidadão que vai atender a população brasileira, com suas demandas específicas. Para tanto, é fundamental que sejam fornecidas ao estudante condições técnicas, teóricas, éticas, artísticas e culturais para o seu pleno desenvolvimento.





 
     

Copyright 2007. Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional.
Todos os direitos reservados. VER CRÉDITOS .