Inclusão
Escolar: Concepções De Professores E Alunos Da Educação
Regular E Especial Nilza Sanches Tessaro (Universidade Estadual de Maringá) nstessaro@uem.br
A
pessoa com deficiência nem sempre foi valorizada e respeitada
pelos seus diferentes, por muito tempo representou segmento totalmente
ignorado, sendo, portanto, vítima de abandono, rejeição,
maus-tratos e até mutilações. Foi apenas a
partir do século XX que começou a ter uma melhor aceitação
do deficiente, momento em que se iniciou a sua desinstitucionalização
e educação escolar. Até este período
eram segregados e praticamente privados de convívio social.
Entretanto, verifica-se que as conquistas ainda foram poucas, pois
o preconceito, a ignorância e a discriminação
ainda são muito fortes em relação ao deficiente
e a deficiência.
Pode-se afirmar, que mesmo depois de muitas discussões em
torno da inclusão social, continua o deficiente sofrendo
pelo estigma e pelo preconceito de sua diferença. Existe
todo um discurso pró à inclusão em vários
segmentos da sociedade, dentre os quais no ambiente escolar. A inclusão
no contexto escolar é algo que vem se efetivando, mesmo que
a duras penas, buscando superar toda uma história de isolamento,
discriminação e preconceito. Tem provocado muitos
questionamentos, principalmente no meio acadêmico (curso de
Psicologia) tais como: O que é inclusão escolar? Por
que incluir? Qual é a opinião dos alunos com deficiência
e dos professores sobre inclusão? A escola possui infra-estrutura
adequada para participar da inclusão escolar? Os alunos deficientes
se sentem bem com a inclusão escolar? Os professores estão
capacitados para educação inclusiva? Etc.
Em busca de respostas para estes questionamentos, realizou-se uma
pesquisa em nível de doutorado, cujo objetivo foi verificar
as concepções de professores e alunos de educação
regular e especial sobre o processo de inclusão escolar.
Para a realização dessa pesquisa foi utilizada uma
amostra constituída por 7 grupos, num total de 140 participantes.
Sendo 60 professores com experiências diferentes quanto à
inclusão (20 de escolas especiais e 40 de escolas públicas
do ensino básico) e 80 alunos com vivências diversas
de inclusão (20 de escolas especiais e 60 de escolas públicas
também de ensino básico).
Para a coleta de dados foi utilizado um questionário composto
por oito questões abertas. As questões foram elaboradas
de forma que atingissem os objetivos da pesquisa, englobando as
seguintes dimensões: conceito de inclusão escolar;
opinião sobre inclusão escolar; opinião sobre
o sentimento dos alunos incluídos em classe comum; opinião
sobre dificuldades envolvidas no processo de inclusão escolar;
manifestação do próprio sentimento e orientações/apoios
necessários ao professor para efetivação da
inclusão escolar.
Como resultado, constatou-se que os conceitos dos participantes
sobre inclusão escolar são insatisfatórios
e que não houve diferenças entre os alunos e entre
os professores quanto a essa dimensão. Os professores e os
alunos expressaram várias dificuldades envolvidas nesse processo,
destacando–se a falta de infra-estrutura das escolas, a falta
de preparo/capacitação profissional, discriminação
social e a falta de aceitação da inclusão.
Os participantes apontaram dificuldades no processo ensino-aprendizagem
decorrentes da educação inclusiva. Os professores
de educação especial demonstraram dar mais crédito
à educação inclusiva do que os do ensino regular.
Os alunos deficientes demonstraram dar menos crédito à
inclusão do que os não deficientes. Os sentimentos
decorrentes da inclusão que predominaram entre os professores
e os alunos com deficiência foram negativos, enquanto entre
os alunos não deficientes prevaleceram os positivos.
Diante destes resultados, conclui-se então, que a inclusão
na forma que vem se efetivando, está longe de atender a um
ideal, foge dos princípios estabelecidos pela Declaração
de Salamanca (1994), a qual constitui-se em um importante documento
que trata dos princípios, a política e a prática
da educação para as necessidades especiais, que recomenda
que as escolas se ajustem às necessidades de todos os alunos,
sejam os que vivem na rua, os nômades, os que trabalham.
Pesquisas têm confirmado que a inclusão escolar vem
se efetivando de forma inadequada, longe do ideal, revelam o pouco
interesse e investimento neste processo. Com isto pode se dizer
que não se deve simplificar o complexo, ou seja, achar que
incluir signifique apenas mudar o aluno de endereço, ou seja,
sair da escola especial ou classe especial e ir para a classe comum
do ensino regular. São muitos os fatores envolvidos, os quais
sem dúvida estão sendo desconsiderados ao se efetivar
a inclusão escolar.
Acredita-se que incluir alunos diferentes/deficientes na classe
comum do ensino regular seja viável, desde que se tenha presente
à complexidade de tal processo, o qual requer muito investimento
e comprometimento, principalmente dos órgãos governamentais
(recursos orçamentários). Igualmente se faz necessário
muito estudo, pesquisa para ampliar o conhecimento, desenvolver
e testar formas que viabilizem a verdadeira inclusão escolar.
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